Dança Cigana




A dança que me faz bem é de uma riqueza tamanha que compreende todos que desejarem envolver-se por ela.
Pode ser da Índia ou Afeganistão, Húngara, Russa ou Romena, da Turquia até a Espanha, França, Portugal ou do Brasil. Cada estilo me pede um movimento diferente, pois desperta em mim sentimentos diferentes. As vezes remontam a ancestralidade, em outras provocam as partes ainda intocadas. Essa dança me permite a criação livre da expressão da minha alma. Mesmo que cada estilo tenha o seu arquétipo pré-definido, ainda assim, nessa dança me sinto livre para ingressar no meu próprio arquétipo através de cada estilo.
Xale, leque, pandeiro são tradicionais. Fitas e aros, nem tanto. Mas, e daí? Se na base da filosofia dessa dança está a liberdade. Liberdade de ser, assumir quem é, de colorir e alegrar, interpretar as emoções. Se para isso eu usar um cesto, um jarro, um véu ou espada, significa que faz parte da minha liberdade de expressão. E vale sim, não precisa justificar, precisa sentir.
Quando a mulher pisa o chão para sentir a terra, balança os cabelos, movimenta os quadris, as mãos, e traduz com seu corpo toda a sua emoção e musicalidade, pouco importa a sua performance. Pois, nesse momento ela está totalmente aberta e receptiva alimentando-se da energia divina, e sua dança passa a ser sagrada. E toca outros espaços igualmente sagrados. Ou, quando em círculo, as mãos se unem e a energia sobe pelos pés, sendo distribuída para toda a roda, as dimensões de tempo e espaço se misturam, e todas são como uma grande força de cura universal.
Assim é como eu sinto, assim é como eu danço, e esse é o meu propósito com essa dança chamada de cigana!
Carol Klipel.



Informações: Carol Klipel - (51) 3781-1332 ou 9639-0707, centrodaflor@outlook.com




 "O leque conta uma história;
Mudanças estão por vir...
Que bons ventos nos levam?
Pelo caminho a prosseguir." Carol Klipel



Tu gitana que adivinhas
Me lo digas pues no lo se
Si saldré desta aventura
O si nela moriré
O si nela perco la vida
O si nela triunfare
Tu gitana que adivinhas
Me lo digas pues no lo se





Para terra - corpo

Para corpo - fogo

Para fogo - ar

Para ar - água!

Dance e sinta!




As mãos nos liga em corrente pela jornada,

Que é única e compartilhada em comunhão,

A dança representada em passos indica a direção,

Da caminhada até o coração,

Onde amor e a cura nos recebem em graça,

E por aí segue a Roda Cigana!


Fazemos parte de um bordado infinito, Pontos que se cruzam
Linhas de seda coloridas como dançarinas
Aparentemente delicadas e frágeis para os olhos dos mortais
Firmes e flexíveis no seu intimo, contrastando com o fundo neutro do cotidiano
Fibras entrelassadas juntando os caminhos
......ás vezes se cruzam por momentâneos pontos de enlaçamento... outras caminham paralelas durante toda a trama da vida...
Mas, sempre entrelaçadas, polarizadas e dirigidas por uma artesã maior que chamam de Deusa
Divina Mãe ou "Vieja Pachamama"
O trabalho é imponente porque todos os fios dançam na mão da artesã invisível
Que impulsiona nossas almas nas tramas da vida.
 para Dunia La Luna da Cigana Teresa


-

Expressa a valorização do estilo de Dança Cigana brasileiro por representantes da Cultura Cigana no Brasil.


Dança Cigana Brasileira

Particularidades: 

O povo cigano por ser extremamente heterogêneo, com diferenças enormes entre ROMS e KALONS nos costumes, língua, dança e música, não permite definir a dança cigana de forma única. Ela é na realidade um caldeirão de formas e técnicas. A tendência dos estudiosos é escolher um estilo e defini-lo como “verdadeiro”, o qual limita e não exprime a totalidade de formas de se bailar. Tem cigano, por exemplo, que discorda veementemente do toque entre os casados na dança, enquanto diversos outros aceitam e praticam desta forma. E estou falando em ciganos mesmo, e não dos que “viraram” ciganos através de iniciações, batizados ou “acharam” (criaram) um parente distante para “aciganar” (o que no meio da música e da dança seria, infelizmente, 90% dos que se dizem ciganos).

A cultura cigana é riquíssima, pois em sua história de nomadismo, a cada região ou povo que os ciganos interagiam, sempre deixaram um pouco de sua cultura e incorporaram também características destes povos. E isso se refletiu na dança. Por isso são tão ricas e grandiosas as possibilidades de se bailar.

Muitos consideram que aqui no Brasil as características da dança cigana se perderam, pois há uma enorme confusão de músicas e ritmos, além de vestuários diversos. Mas, por ouro lado, a cultura cigana daqui reflete um pouco do que é o Brasil, um país multicultural e miscigenado.

Os Roms do Leste Europeu tem seu estilo de dançar, assim como os gitanos de Andaluzia tem seu Flamenco (que é uma linda fusão de dança e música desta região espanhola, com influência dos mouros que invadiram estas terras e dos ciganos que deram alma a este bailado). E aqui no Brasil tudo isto e diversos outros estilos regionais (danças sérvias, turcas, russas e etc.) se fazem presentes.

A comunidade ROM (kalderash, machuanos, entre outros) são mais fechados e mantém suas tradições bem guardadas. As festas têm poucos gadjos (não-ciganos) e os estilos musicais e de dança remetem as canções sérvias, romenas e do Leste Europeu em geral. Bem parecido com o que os ciganos desta região continuam bailando e escutando nas suas músicas ainda hoje.

Já os Kalons brasileiros são muito diferentes dos espanhóis, por exemplo. Se na Europa, entre eles o Flamenco reina, aqui houve a incorporação do sertanejo e do forró. As festas são embaladas por estes ritmos e quando dançam os ritmos de sua cultura, as músicas ciganas propriamente ditas, o fazem de uma forma própria. Os braços e giros têm uma
forma aflamencada, mas vemos um trabalho de quadril nas calins,  que remete a uma dança mais árabe. Reafirmando o que foi dito anteriormente, sobre uma grande fusão de culturas e costumes.

Por isso deve-se ter muito cuidado em “julgar” o que é o que não é uma dança cigana. A não ser que a dançarina escolha se apresentar num ritmo específico, por exemplo, dança cigana turca e utilize figurino e passos de Flamenco. Aí sim, é uma grande confusão e erro.

Será que, assim como existe a dança cigana russa, a dança cigana do Rajastão e tantas outras, não poderíamos afirmar que há, ao menos, uma forma própria dos ciganos brasileiros de dançar? Não seria o momento de pesquisar como se baila nos acampamentos e nas terras do Brasil?

Já pude conferir romi dançando, de saia rodada, música de Kalon e vice-versa, o povo kalé bailando música Romá. E isso é lindo! Não é perder a tradição, pelo contrário, é reencontrar origens, que em algum momento da história fez com que estes clãs se separassem.

A cultura cigana, assim como de todas as civilizações, sofre interferências e sempre haverá aqueles que são contra e os que são a favor de novos costumes. Este balanceamento é eficaz no sentido de assimilar com parcimônia as novidades, mas sem perder o tradicional. Se no passado, não “permitissem” o agregar de formas novas de dançar quando os ciganos passaram por Egito, Bálcãs, Europa, não haveria a dança cigana conhecida hoje, pois se bailaria identicamente da forma como os ciganos viviam no norte da Índia. Portanto o bailado cigano sempre foi mutável e agregador de técnicas de diversas outras danças.

Devemos, com certeza, resguardar as já tradicionais maneiras que cada clã ou região dança, mas também olhar para frente e tentar conhecer e entender as mudanças que a cultura sofre no presente. O mesmo pode-se dizer da música. Em nosso país temos excelentes bandas e cantores que compõe música cigana diferente das já existentes em outras regiões. Criando, portanto, músicas ciganas brasileiras.

Acredito sim que se deva estudar, e muito, as várias formas de dançar. Conhecer ao máximo a cultura cigana de cada região, pois a dança cigana é mais que um bailado. É a expressão artística de um povo que viajou o mundo, semeando cultura e difundindo conhecimentos. Quem baila, não apenas se expressa fisicamente, mas carrega a história de uma etnia milenar. Mas não só olhar para trás e valorizar a cultura cigana no mundo, esquecendo-se da riqueza cultural dos ciganos brasileiros.

Texto: Casal Coimbra

-

A Dança Cigana e o Resgate do Feminino


"... Magia del ritmo, Siente su vida, Luego sus poderes sensaciones, Es todo lo que eres, La fuerza es, Magia del ritmo, Magia del ser..." Gipsy Kings


A Dança Cigana, somada a sua música, compõe a expressão da alma cigana. Na trajetória marcada pelo preconceito, rejeição e perseguição pelo mundo, os ciganos aprenderam a trazer para o corpo a manifestação dos seus sentimentos mais sinceros. Desde a paixão da cigana flamenca até a devoção da cigana russa, a dança cigana é expressada numa estética intensa de movimentos e cores, gestos e olhares que encantam os espectadores.

Vivenciar a música e as emoções é o palco perfeito para esta dança que relaciona vários elementos na sua construção. Ou seja, toda a bagagem cigana trazida até os dias atuais se fazem presentes em um momento de música e dança. Cheiros, cores, brilhos, palmas, sapateados, movimentos de saia, o balaço dos cabelos, as posturas de braço, o dedilhado das mãos, a força do olhar... em fim, esses e muitos outros elementos fazem da dança cigana especial para as mulheres.

Conectar-se com a terra, com o fogo, o ar e a água, observar a lua e os seus ciclos, receber o brilho do sol, compreender o poder dos cristais, resgatar o conhecimento ancestral das ervas e temperos, bem como apreciar as flores. A dança cigana traz benefícios que vão além do desenvolvimento do ritmo, da flexibilidade e da musicalidade. Na verdade, a consciência corporal estimulada pela dança cigana desperta aspectos da natureza feminina pouco valorizadas pela cultura geral nos tempos de hoje. Deixar os cabelos crescer, usar brincos aparentes, pintar as unhas, valorizar a beleza quanto expressão da sensualidade é apenas a primeira mudança que o contato com essa dança propicia. Adiante, seguem as reuniões de mulheres onde os filhos e as crianças (de um modo geral) são integrantes acolhidos, e, assim, ensinamentos são transmitidos e experimentados. O espaço-tempo permite que a fantasia seja liberada e com isso a vida real, com seus desafios e percalços, possa ser encarada com mais personalidade.

A mulher na dança cigana se torna mais fiel à ela mesma e aos seus desejos respeitando a sua integridade de forma a aumentar o seu poder gerador. Pois, tendo oportunidade em manifestar os seus instintos femininos na busca da compreensão da sua natureza, essa mulher passa a conhecer-se mais. Fato que diminui o temor à vida levando a uma realização no campo dos seus objetivos internos. Estar em grupo e compartilhar momentos de escuta e aconselhamentos traz, também, a sensação de pertencimento à energia feminina que tem um efeito de contorno, de sinuosidade, demonstrando que os ciclos estão presentes em toda a parte e somos parte integrativa dele.


Dançar, deixar a emoção falar em gestos, rir ou chorar, dar as mãos, se abraçar, transformar - benefícios de uma dança que vai além do corpo, toca a alma!

Nenhum comentário:

Postar um comentário